O pé torto congênito é uma deformidade presente ao nascimento em que o pé fica virado para dentro e para baixo. Pode afetar um ou os dois pés e, muitas vezes, já é suspeitado na ultrassonografia do pré-natal. A boa notícia é que existe um tratamento consagrado, com ótimos resultados quando bem conduzido: o método de Ponseti.
As etapas do tratamento
1. Gessos seriados
O tratamento costuma começar nas primeiras semanas de vida. A cada semana, o médico faz manobras suaves para corrigir gradualmente a posição do pé e aplica um gesso da ponta dos dedos até a coxa, que mantém a correção obtida. Em geral são necessárias algumas trocas.
2. Tenotomia do tendão de Aquiles
Na maioria das crianças, ao final da fase de gessos, é feito um pequeno procedimento para alongar o tendão de Aquiles, com anestesia local, seguido de um último gesso por cerca de três semanas.
3. Órtese de abdução
Depois da correção vem a etapa mais importante para evitar que a deformidade volte: o uso de uma órtese de abdução — sapatinhos unidos por uma barra. No início, ela é usada praticamente o dia todo; depois, apenas para dormir, por alguns anos.
O papel da família
O sucesso do método depende muito do uso correto da órtese. A principal causa de recidiva é a interrupção precoce ou o uso irregular. A equipe orienta sobre adaptação, cuidados com a pele e o que fazer se a criança não tolerar o dispositivo.
E depois?
O acompanhamento continua durante o crescimento, porque alguns pés podem apresentar recidiva parcial e precisar de novos gessos ou de pequenos procedimentos. A maioria das crianças tratadas anda, corre e pratica atividades físicas normalmente.
Em crianças com condições neurológicas ou síndromes associadas, o pé torto pode ser mais rígido e exigir um plano de tratamento adaptado.
Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.